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Torcedor do Grêmio investigado por gesto racista em Gre-Nal presta depoimento à polícia em Porto Alegre

Homem de 29 anos admitiu imitar gesto de macaco, mas negou intenção racista; clube suspendeu sócio e apoia investigação.

Por redação Esporte G 14/10/2026 às 13h52

O torcedor do Grêmio suspeito de praticar um ato racista durante o clássico Gre-Nal 455, no último domingo na Arena do Grêmio, prestou depoimento à polícia na manhã desta quarta-feira, acompanhado por seu advogado. O homem, de 29 anos, admitiu ter feito gestos que imitavam um macaco em direção à torcida do Internacional, mas negou que houvesse intenção racista.

Investigação policial e antecedentes do suspeito

Conforme o delegado Vinícius Nahan, responsável pelo caso na Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância, o suspeito tem antecedentes criminais por homicídio, tráfico de drogas e envolvimento em tumultos no estádio, relacionados a infrações do Estatuto do Torcedor. A polícia ainda pretende ouvir uma testemunha e analisar imagens captadas pelas câmeras de segurança da Arena, além de outros materiais enviados pelo Grêmio, para concluir o inquérito, que deve ser encaminhado ao Poder Judiciário nesta quinta-feira.

Defesa e contexto da manifestação

O advogado Lucas Bianchi explicou que seu cliente realizou um “gesto infeliz” após ser alvo de ofensas homofóbicas por parte de torcedores do Internacional, ressaltando que o suspeito é pardo, sua esposa é negra e seus filhos também. Segundo a defesa, não houve intenção de racismo. No entanto, o delegado contestou essa afirmação e destacou que socialmente o gesto e o termo relacionados não são mais aceitos como simples provocações no contexto das rivalidades esportivas, sendo interpretados como racistas.

Repercussão e medidas do clube

O Grêmio divulgou nota oficial confirmando a identificação do torcedor, que é sócio da modalidade Diamante, e confirmou sua suspensão preventiva do quadro social, com bloqueio de cadastro e impedimento de frequentar a Arena. O clube encaminhou os dados à polícia e ao Conselho Deliberativo para abertura de processo na Comissão de Ética e Disciplina, reforçando seu compromisso antirracista e oposição a qualquer forma de discriminação.

Possível crime contra criança

Além da investigação pelo crime de racismo, o caso também está sendo analisado sob a perspectiva do Estatuto da Criança e do Adolescente, pois o gesto foi realizado em frente ao filho de oito anos do torcedor, expondo a criança a situação vexatória.

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