Corinthians enfrentará R$ 2,8 milhões em ações trabalhistas por irregularidades na antiga divisão de eSports
Clubes de eSports do Corinthians, mesmo com operação licenciada, geram processos judiciais que somam quase R$ 3 milhões, com condenações subsidiárias ao clube devido a irregularidades trabalhistas.
O Corinthians está envolvido em uma série de ações trabalhistas referentes à sua antiga divisão de esportes eletrônicos, que foi operada por uma empresa licenciada, a CDS E-Sports. Embora a gestão da divisão e a contratação dos jogadores tenham sido terceirizadas, o clube está sendo acionado e condenado subsidiariamente na Justiça do Trabalho, com valores acumulados que ultrapassam R$ 2,8 milhões.
Contexto das ações judiciais e responsabilidade do clube
Foram identificadas 30 ações trabalhistas contra a CDS e o Corinthians nos Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs). Dessas, 13 já tiveram decisões judiciais e, em 10 delas, o clube foi condenado. As ações envolvem principalmente reconhecimento de vínculo empregatício e pagamento de salários atrasados, entre outras verbas trabalhistas.
De acordo com entendimentos judiciais, apesar de o Corinthians não ter feito contratações diretas, o clube se beneficiou do trabalho dos atletas, que atuaram com a marca e estrutura do time. Por isso, a instituição pode ser responsabilizada subsidiariamente pelas obrigações não cumpridas pela empresa contratada.
Operação terceirizada e rompimento contratual
Em julho de 2022, o Corinthians firmou contrato de licenciamento com a CDS para uso da marca e a gestão da divisão de eSports. A CDS ficou responsável por toda a administração, incluindo pagamento dos salários dos atletas e demais encargos trabalhistas. Entretanto, o contrato foi rescindido em setembro de 2025, após denúncias de atrasos salariais, má gestão e falhas na administração das equipes.
O clube destaca que fez várias tentativas de regularização da situação, incluindo cobranças formais e renegociações, mas a inadimplência da CDS persistiu, culminando na rescisão contratual.
Impactos financeiros e riscos para o Corinthians
Embora os valores dos processos individuais sejam relativamente modestos, o montante acumulado ultrapassa os R$ 2,8 milhões. A dificuldade de cobrança contra a CDS - que não apresentou bens bloqueáveis na Justiça - transfere o ônus financeiro ao Corinthians.
Advogados que acompanham os casos ressaltam que a falta de fiscalização preventiva do clube em relação à empresa licenciada facilitou a situação, que poderia ter sido evitada com cláusulas contratuais mais rigorosas e acompanhamento financeiro da gestora da operação.
Posicionamento oficial do Corinthians
Em nota, o clube reafirma que a responsabilidade pela gestão da divisão de eSports era da CDS, que deveria arcar com todos os custos e riscos da operação. O Corinthians afirma que seguirá tomando medidas jurídicas para defender seus interesses e reclamar ressarcimento integral por prejuízos sofridos.
O clube lamenta que sua marca e credibilidade estejam sendo associadas às consequências da má administração da operação terceirizada, e que não aceitará ser tratado como principal responsável pelos débitos trabalhistas originados na antiga parceria.
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