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Tifanny Abreu recorre à Justiça para participar da Supercopa e Superliga após negativa da CBV

Tifanny Abreu e o Osasco Vôlei entraram na Justiça para garantir a participação da atleta nas competições nacionais, após a Confederação Brasileira de Vôlei impedir seu registro por nova regra de elegibilidade.

Tifanny Abreu, jogadora do Osasco Vôlei, e o clube entraram com ações judiciais para assegurar que a atleta possa disputar a Supercopa e a Superliga, apesar da recusa da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) em oficializar seu registro para essas competições. A decisão da CBV se baseia na nova política de elegibilidade para atletas femininas, que impede a participação de mulheres transgênero que não comprovem a ausência do gene SRY associado ao desenvolvimento masculino.

Contexto e reação jurídica

No fim da tarde da quinta-feira anterior à Supercopa, as inscrições das jogadoras do Osasco foram aceitas pela CBV, com exceção de Tifanny, cujo registro foi deixado pendente. Diante disso, a equipe jurídica da atleta e do clube acionou a Justiça Desportiva com um mandado de garantia e solicitou liminar para garantir sua participação enquanto o processo tramita no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Contudo, o pedido de liminar foi negado pela Justiça Desportiva nessa sexta-feira (16). Em resposta, a defesa recorreu ao Tribunal Pleno do STJD e também ingressou com recurso na Justiça comum.

Argumentos da defesa e impacto no esporte

A defesa de Tifanny fundamenta-se no direito constitucional da atleta de exercer sua profissão, destacando que ela contribuiu para o Osasco garantir vaga na Supercopa com sua participação nas competições anteriores. Além disso, foram apresentados estudos técnicos e científicos que, segundo eles, confirmam a elegibilidade da jogadora para a disputa. O advogado que representa a atleta criticou a forma como a CBV implementou a nova norma, ressaltando a falta de diálogo prévio com o clube e a atleta.

Tifanny, primeira atleta transgênero a atuar na elite do vôlei brasileiro, expressou sua intenção de lutar para continuar sua carreira dignamente, evitando uma despedida marcada pela exclusão. Ela recebeu apoio público de diversas jogadoras, incluindo Gabi Guimarães, capitã da seleção brasileira, que manifestou discordância contra a norma da CBV.

Política de elegibilidade da CBV

A Confederação Brasileira de Vôlei adotou em agosto uma nova política alinhada ao Comitê Olímpico Internacional (COI), exigindo das atletas femininas um teste genético para comprovar a ausência do gene SRY. A medida resultou na exclusão da participação de atletas transgênero que não atendam a esse critério, afetando diretamente a continuidade da carreira de Tifanny.

Desdobramentos recentes e posicionamento da atleta

Recentemente, Tifanny liderou o Osasco na conquista do Campeonato Paulista feminino e manifestou publicamente seu desejo de disputar a Superliga pela última vez antes de uma eventual aposentadoria. Em suas redes sociais, reiterou que não desistirá de lutar para continuar exercendo sua profissão, destacando a importância do esporte como espaço de respeito, inclusão e igualdade.

Tags: Confederação Brasileira de VôleiDireitos das atletas transgêneroOsasco VôleiPolítica de elegibilidadeSupercopaSuperligaTifanny Abreu

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